sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A RÚSSIA E O LESTE EUROPEU APÓS O FIM DA URSS (3º Anos)

           Vamos conhecer o período posterior ao fim da União Soviética e do comunismo, e as transformações que isso acarretou nos países que já existiam e nos que se formaram a partir desse momento da história do século XX. 
A Rússia e as novas repúblicas da extinta União Soviética;
           Com o fim da União Soviética foi formada a CEI – Comunidade dos Estados Independentes, em 1991.  Das quinze maiores repúblicas que formavam a URSS doze se integraram a CEI e somente três optaram por não se integrarem: Estônia, Lituânia e Letônia.
           A Rússia, a maior das repúblicas desses estados independentes, tornou-se Federação Russa e agregou uma a série de repúblicas menores como repúblicas federadas.
Essas repúblicas independentes e a Rússia têm entre as suas populações uma enorme variedade de grupos étnicos – povos com características comuns como a mesma língua, mesma religião, gostos culturais comuns como música, comidas, roupas.
           Durante o regime comunista da União Soviética todos esses povos foram mantidos sob o domínio dos russos, que são a maioria étnica dessas populações. Com seu fim, vários desses grupos étnicos, religiosos ou de nacionalidades diferentes procuraram formar Estados independentes, através de lutas separatistas. Vamos encontrar essa mesma situação em alguns países do Leste europeu.
          A região do Cáucaso é o principal palco de conflitos nacionalistas. Na região encontram-se mais de quarenta povos de diferentes etnias e religiões. Na região os conflitos ocorrem pelas disputas político-territoriais às quais somam-se as questões étnico-religiosas. Exemplo do que falamos é a guerra entre a Armênia e o Azerbaijão pela recuperação de uma parte de seu território que fora anexado ao Azerbaijão durante o período comunista. Além disso, a maioria Armênia é de cristãos ortodoxos e o Azerbaijão é muçulmano. A justificativa religiosa para o conflito foi que no território em disputa a maioria da população era de armênios cristãos.
A guerra da Chechênia pode ser um outro exemplo (o pior, no sentido de que guerras nunca são um bom exemplo), de como, os conflitos separatistas podem envolver questões étnico-nacionalistas, questões religiosas e questões econômicas.
         A Chechênia, que é uma pequena república situada no Cáucaso, região montanhosa da Ásia, cuja grande maioria da população professa a religião islâmica ou muçulmana, declarou sua independência em 1991, logo após fim da URSS, quando passou a fazer parte da Federação Russa. Entretanto continuou buscando sua autonomia total.
         Em 1994 a Rússia invadiu a república chechena originando uma guerra que durou até 1996, e matou mais de 50 mil pessoas. O fim da guerra não significou o fim dos conflitos que se estendem até hoje. Os separatistas chechenos, através de ações terroristas, procuram chamar a atenção para sua causa. A Rússia, porém, tem se negado a abrir negociações que visem à independência dessa região; que está muito próxima das reservas de petróleo do Mar Cáspio e é cortada por oleodutos que transportam esse petróleo para o abastecimento da Rússia e de outros países do Europa.
A Rússia no fim do segundo milênio
           A década de 1990 significou para a Rússia uma dura transição para o capitalismo e sua economia de mercado. As reformas econômicas nos governos de Bóris Ieltsin, promovidas nessa intenção não tiveram efeito para a maioria da população russa. A situação de suas indústrias ultrapassadas que não podiam concorrer com as indústrias ocidentais e os altos juros da dívida externa, entre outros fatores, levaram a uma grave crise econômica. Em 1998 a Rússia não resistiu e seu governo declarou a Moratória (um aviso aos credores internacionais que vai parar de pagar suas dívidas). Como vivemos em uma economia já globalizada, a crise da Rússia afetou o mundo todo.  Os Estados Unidos e outros países da Europa se mobilizaram e o Fundo Monetário Internacional – FMI, liberou um empréstimo emergencial para a Rússia no valor de 22 bilhões de dólares.
           As questões sociais na Rússia se aprofundaram com a crise econômica. Os salários são muito baixos e o desemprego é grande. Cresceu o mercado informal de produtos de contrabando. Surgiram, principalmente nas grandes cidades, organizações criminosas: as máfias russas. Essas máfias controlam várias atividades econômicas, legais ou ilegais, como por exemplo, o contrabando, o tráfico de drogas e o tráfico de pessoas. Esse último é um problema que passou a afetar também a outros países da região e do Leste europeu.
         O agravamento da crise levou à renúncia de Boris Ieltsin em 1999. Assumiu o governo Vladimir Putin, funcionário do serviço secreto russo, antiga KGB da época da União Soviética. Putin conseguiu controlar a crise e melhorar a economia russa, sendo reeleito em 2000. Adotou uma política mão-de-ferro no que se refere a negociar a separação da república da Chechênia. E as conseqüências dessa política se fizeram sentir em eventos sangrentos como o massacre da cidade de Beslam, na Ossétia do Norte. (ver box), em setembro de 2004.
“A festa do Dia do Saber na Rússia, que marca o início do ano letivo, no dia 1 de setembro de 2004 se transformou num pesadelo em Beslan, quando a escola número 1 foi tomada por um comando checheno. Os terroristas, 32 segundo a versão oficial, se entrincheiraram na escola com seus reféns como escudos humanos. Suas exigências eram o fim da guerra e o reconhecimento da independência da Chechênia.
Às 13h05 do dia 3 de setembro, 52 horas depois do começo do seqüestro, houve uma explosão, possivelmente acidental, segundo a investigação oficial, no ginásio onde os terroristas mantinham seus reféns. E então começou o massacre. Alguns parentes das vítimas e testemunhas garantem que a explosão foi resultado de um tiro de canhão de um dos carros de combate que cercavam a escola. Outros afirmam que as forças de segurança usaram lança-chamas.
O único terrorista sobrevivente do comando checheno, Nurpasha Kulayev, foi julgado e condenado em maio de 2006 à cadeia perpétua. “Numa reunião com mães que perderam seus filhos em Beslan, o presidente da Duma (Câmara dos Deputados), Boris Grizlov, disse hoje que as perícias pedidas pela investigação ficarão prontas em janeiro de 2008”.
(01 de setembro de 2007 http://www.noticias.terra.com.br )
 O Leste europeu
           O final da década de 1980 do século XX e a década seguinte trouxeram uma onda de transformações políticas e econômicas que varreu a Europa Oriental, trazendo à tona antigos conflitos étnicos e questões nacionalistas. Também nessa região, como ocorreu na extinta União Soviética, surgiram novos países e desapareceram outros, como a Alemanha Oriental, mudando suas fronteiras geográficas e políticas.
           A Tchecoslováquia deu origem a duas repúblicas: a Eslováquia e a República Tcheca, o que ocorreu em uma transição pacífica.
           Na Iugoslávia, guerras como a da Bósnia (1992 -1995), onde morreram milhares de pessoas, se tornou outro exemplo cruel de conflito resultante de questões étnico-nacionalistas.  Historicamente essa região sempre foi muito conflituosa e onde as questões religiosas e políticas sempre serviram de estopim para guerras e conflitos.
A guerra da Bósnia
           A Iugoslávia até o início da década de 1990 era formada por seis repúblicas: Sérvia, Croácia, Montenegro, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina e Macedônia, mantidas unidas durante o regime comunista. Como você já deve imaginar as populações dessas repúblicas são formadas por diferentes grupos étnicos. Com o fim do regime comunista, em 1991, a Croácia e Eslovênia se declararam independentes, enfrentando um conflito com os sérvios que se opuseram à independência. Em 1992, a Macedônia e a Bósnia também se declararam independentes.
           Os sérvios não aceitaram a Independência da Bósnia, região onde a população estava dividida entre bósnios (muçulmanos), croatas, e sérvios que eram cerca de 30 % dessa população. O governo iugoslavo invadiu a região com suas tropas sérvias e se iniciou um conflito pela disputa do território com mulçumanos e croatas. As tropas sérvias, exacerbando princípios nacionalistas, passaram a matar civis muçulmanos e croatas, com objetivo de fazer uma limpeza étnica na região. A guerra durou até 1995 quando tropas internacionais pressionaram os sérvios a recuar e a assinar a paz.
           Em 1998 um novo conflito ocorre na região, quando a província de Kosovo, com uma população muçulmana com origem albanesa, tenta se tornar independente da Sérvia. A reação sérvia é brutal e leva a uma grande quantidade de refugiados dessa região. Uma nova intervenção de forças militares internacionais força um acordo e coloca Kosovo sob a proteção da ONU.
           Nesse início de século XXI, da antiga Iugoslávia restam Sérvia e Montenegro que negociam com supervisão da ONU tornarem-se dois estados totalmente autônomos.
A transição econômica no Leste europeu e Rússia
Os países do Leste europeu procuraram, após o fim do comunismo, adaptar suas economias ao sistema capitalista. Medidas econômicas como a privatização de empresas estatais, a diminuição dos investimentos em gastos sociais e a liberalização de importações foram adotadas.
          Em muitos deles essa transição, como na Rússia, esbarrou nas condições desfavoráveis em que se encontravam as suas indústrias que precisavam se adaptar as novas tecnologias para serem competitivas nesse novo mercado. Com o fechamento de muitas dessas indústrias, o desemprego aumentou, o que levou ao aumento de um mercado informal de trabalho. Soma-se a isso a ocorrência de uma queda na produção agrícola, embora a maioria dos países do Leste ainda possuam uma grande parte das suas populações morando no campo.
Sobre a Rússia no inicio do século XXI escreveu o jornalista Fen Montaigne da revista National Geographic: “Grande parte da economia russa está centrada em Moscou, onde uma classe média palpável emergiu. Mesmo assim, outras tantas cidades vingaram e se tornaram muito ativas (...) Muitas empresas de maior sucesso se concentram em atividades que mal existiam na URSS, tais como as de software, processos sofisticados de produção de alimentos, restaurantes e publicidade.(...)
É preciso dizer que histórias de sucesso financeiro – e dos trabalhadores de classe média associados a elas – ainda são ilhas num mar de estagnação. Os salários oficiais da maioria dos trabalhadores russos giram em torno de US$ 100 por mês, embora muitos tenham rendimentos não declarados. Estima-se que 20 milhões de pessoas, de uma população total de 145 milhões, viva abaixo da linha da pobreza, com US$ 31 mensais per capita. A sonegação fiscal é endêmica e algo como 25% a 40% da economia, calcula-se, corre por baixo do pano. Além disso todos os anos a tênue camada de russo super ricos, temendo a instabilidade geral e um turbulento sistema bancário, remete a bancos no exterior entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões, grande parte gerada pelas vendas dos abundantes recursos naturais do seu país.”
Como podemos ver, ainda há muitas dificuldades a serem enfrentadas nessa transição econômica. No caso do Leste, um dos caminhos que vem sendo trilhado é o de uma maior integração com a Europa.
A entrada na União Européia
          Para a grande maioria dos países e das populações do leste, com exceção talvez da Polônia, da República Tcheca e da Eslováquia as mudanças para o sistema de livre mercado capitalista representaram uma queda de qualidade de vida na última década do século XX.
Muitos dos habitantes do Leste e das Repúblicas da CEI tem imigrado para países da Europa ocidental, como Portugal e Espanha, depois que países como Inglaterra, Alemanha e França dificultaram a entrada de estrangeiros. São Romenos, ucranianos, búlgaros, georgianos e russos, entre outros. Normalmente vão encontrar colocação na construção civil e no setor de serviços das grandes cidades. Fugindo das crises provocadas pela transição capitalista, eles vão à procura de melhores condições de trabalho e de vida nessa outra parte da Europa onde o capitalismo já é um velho conhecido.
           Outra maneira de entrar nessa “outra” Europa é fazer parte da União Européia esse grande bloco que engloba a economias mais desenvolvidas e industrializadas do continente. Em maio de 2004 oito países do leste europeu, Polônia, Letônia, Estônia, Hungria, Eslováquia, Lituânia, Eslovênia e República Tcheca ingressaram na União Européia. Romênia e Bulgária ingressaram em janeiro de 2007. Parece que a transição para o capitalismo nessa região do leste europeu vem alcançando algum sucesso. Embora venham a ser os membros mais pobres da União Européia poderão contar com os investimentos e a ajuda econômica dos outros países do bloco. No caso da Rússia, o abismo social entre os novos milionários russos e a maioria da população e os conflitos separatistas de natureza étnica deverão ser os maiores desafios nesse início do século XXI.

Fonte: http://pontodehistoria.blogspot.com.br/2011/08/russia-e-o-leste-europeu-pos-urss.html

Confederação Do Equador (2º Anos)

O que foi
         A Confederação do Equador foi um movimento político e revolucionário ocorrido na região Nordeste do Brasil em 1824. O movimento teve caráter emancipacionista e republicano. Ganhou este nome, pois o centro do movimento ficava próximo a Linha do Equador. A revolta teve seu início na província de Pernambuco, porém, espalhou-se rapidamente por outras províncias da região (Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba).
         Em Pernambuco, centro da revolta, o movimento teve participação das camadas urbanas, elites regionais e intelectuais. A grande participação popular foi um dos principais diferenciais deste movimento.
 Causas principais
 - Forte descontentamento com centralização política imposta por D. Pedro I, presente na Constituição de 1824;
 - Descontentamento com a influência portuguesa na vida política do Brasil, mesmo após a independência;
 - A elite de Pernambuco havia escolhido um governador para a província: Manuel Carvalho Pais de Andrade. Porém, em 1824, D.Pedro I indicou um governador de sua confiança para a província: Francisco Paes Barreto. Este conflito político foi o estopim da revolta.
 Objetivos da revolta
 - Convocação de uma nova Assembleia Constituinte para elaboração de uma nova Constituição de caráter liberal;
 - Diminuir a influência do governo federal nos assuntos políticos regionais;
 - Acabar com o tráfico de escravos para o Brasil;
 - Organizar forças de resistências populares contra a repressão do governo central imperial;
 - Formação de um governo independente na região.
 Reação do governo e fim do movimento
 -  Sob o comando do almirante britânico Thomas Cochrane, as forças militares do império atuaram com rapidez e força para colocar fim ao movimento emancipacionista. Um dos principais líderes, Frei Caneca, foi condenado ao fuzilamento. Padre Mororó, outra importante liderança, foi executado a tiros. Outros foram condenados à prisão como foi o caso do jornalista Cipriano Barata. Muitos revoltosos fugiram para o sertão e tentaram manter o movimento vivo, porém o movimento perdeu força no mesmo ano que começou.

Fonte: http://www.historiadobrasil.net/resumos/confederacao_do_equador.htm

Primeiro Reinado Dom Pedro I (2º Anos)

Introdução
O Primeiro Reinado é a fase da História do Brasil que corresponde ao governo de D. Pedro I. Tem início em 7 de setembro de 1822, com a Independência do Brasil e termina em 7 de abril de 1831, com a abdicação de D. Pedro I.
O governo de D. Pedro I enfrentou muitas dificuldades para consolidar a independência, pois no Primeiro Reinado ocorrem muitas revoltas regionais, oposições políticas internas.
Reações ao processo de Independência
Em algumas províncias do Norte e Nordeste do Brasil, militares e políticos, ligados a Portugal, não queriam reconhecer o novo governo de D. Pedro I. Nestas regiões ocorreram muitos protestos e reações políticas. Nas províncias do Grão-Pará, Maranhão, Piauí e Bahia ocorreram conflitos armados entre tropas locais e oficiais.
Constituição de 1824
Em 1823, durante a elaboração da primeira Constituição brasileira, os políticos tentaram limitar os poderes do imperador. Foi uma reação política a forma autoritária de governar do imperador. Neste mesmo ano, o imperador, insatisfeito com a Assembleia Constituinte, ordenou que as forças armadas fechassem a Assembleia. Alguns deputados foram presos.
D.Pedro I escolheu dez pessoas de sua confiança para elaborar a nova Constituição. Esta foi outorgada em 25 de março de 1824 e apresentou todos os interesses autoritários do imperador. Além de definir os três poderes (legislativo, executivo e judiciário), criou o poder Moderador, exclusivo do imperador, que lhe concedia diversos poderes políticos.
A Constituição de 1824 também definiu leis para o processo eleitoral no país. De acordo com ela, só poderiam votar os grandes proprietários de terras, do sexo masculino e com mais de 25 anos. Para ser candidato também era necessário comprovar alta renda (400.000 réis por ano para deputado federal e 800.000 réis para senador).
Guerra da Cisplatina
Este foi outro fato que contribuiu para aumentar o descontentamento e a oposição ao governo de D.Pedro I. Entre 1825 e 1828, o Brasil se envolveu na Guerra da Cisplatina, conflito pelo qual esta província brasileira (atual Uruguai) reivindicava a independência. A guerra gerou muitas mortes e gastos financeiros para o império. Derrotado, o Brasil teve que reconhecer a independência da Cisplatina que passou a se chamar República Oriental do Uruguai.
Confederação do Equador
As províncias de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará formaram, em 1824 a Confederação do Equador. Era a tentativa de criar um estado independente e autônomo do governo central. A insatisfação popular com as condições sociais do país e o descontentamento político da classe média e fazendeiros da região com o autoritarismo de D.Pedro I foram as principais causas deste movimento.

Em 1824, Manuel de Carvalho Pais de Andrade tornou-se líder do movimento separatista e declarou guerra ao governo imperial.
O governo central reagiu rapidamente e com todos as forças contra as províncias separatistas. Muitos revoltosos foram presos, sendo que dezenove foram condenados a morte. A confederação foi desfeita, porém a insatisfação com o governo de D.Pedro I só aumentou.
Desgaste e crise do governo de D.Pedro I
Nove anos após a Independência do Brasil, a governo de D.Pedro I estava extremamente desgastado. O descontentamento popular com a situação social do país era grande. O autoritarismo do imperador deixava grande parte da elite política descontente. A derrota na Guerra da Cisplatina só gerou prejuízos financeiros e sofrimento para as famílias dos soldados mortos. Além disso, as revoltas e movimentos sociais de oposição foram desgastando, aos poucos, o governo imperial.
         Outro fato que pesou contra o imperador foi o assassinato do jornalista Libero Badaró. Forte crítico do governo imperial, Badaró foi assassinado no final de 1830. A polícia não encontrou o assassino, porém a desconfiança popular caiu sobre homens ligados ao governo imperial.
Em março de 1831, após retornar de Minas Gerais, D.Pedro I foi recebido no Rio de Janeiro com atos de protestos de opositores. Alguns mais exaltados chegaram a jogar garrafas no imperador, conflito que ficou conhecido como “A Noite das Garrafadas”. Os comerciantes portugueses, que apoiavam D.Pedro I entraram em conflitos de rua com os opositores.
Abdicação
Sentindo a forte oposição ao seu governo e o crescente descontentamento popular, D.Pedro percebeu que não tinha mais autoridade e forças políticas para se manter no poder.
         Em 7 de abril de 1831, D.Pedro I abdicou em favor de seu filho Pedro de Alcântara, então com apenas 5 anos de idade. Logo ao deixar o poder viajou para a Europa.
Fonte: http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/primeiro_reinado.htm

   

Insurreição Pernambucana de 1817 (2º Anos)

A Revolução Pernambucana foi um movimento social (revolta) de caráter emancipacionista ocorrido em Pernambuco no ano de 1817. É considerado um dos mais importantes movimentos de caráter revolucionário do período colonial brasileiro.
Causas
- Insatisfação popular com a chegada e funcionamento da corte portuguesa no Brasil, desde o ano de 1808. O questionamento maior era com relação a grande quantidade de portugueses nos cargos públicos;
- Insatisfação com impostos e tributos criados no Brasil por D. João VI a partir da chegada da corte portuguesa ao Brasil;
- Influência dos ideais iluministas, principalmente os que criticavam duramente as estruturas políticas da monarquia absolutista. Os ideais da Revolução Francesa, “liberdade, igualdade e fraternidade”, ecoavam em solo pernambucano, principalmente entre os maçons;
- Significativa crise econômica que abatia a região, atingindo, principalmente, as camadas mais pobres da população pernambucana. A crise era provocada, principalmente, pela queda nas exportações de açúcar, principal produto da região;
- Fome e miséria, que foram intensificadas com a seca que atingiu a região em 1816.
Objetivo
O movimento social pernambucano tinha como objetivo principal a conquista da independência do Brasil em relação a Portugal. Queriam implantar um regime republicano no Brasil e elaborar uma Constituição.
Como foi a revolta
Ao saber da organização da revolta, o governador de Pernambuco ordenou a prisão dos envolvidos. Porém, os revoltosos resistiram e prenderam o governador. Após dominar a cidade de Recife, os revoltosos implantaram um governo provisório. Para conquistar o apoio popular, o governo provisório abaixou impostos, libertou presos políticos e aumentou o salário de militares. Os rebeldes enviaram emissários para outras províncias do norte e nordeste para derrubar os governos e ampliar a revolução. Porém, sem apoio popular significativo, estes movimento não avançaram.
Repressão do governo
Preocupado com a possibilidade de ampliação da revolta para outras províncias, D.João VI organizou uma forte repressão militar contra os rebeldes de Pernambuco. As tropas oficiais cercaram Recife. Os embates duraram 75 dias, resultando na derrota dos revoltosos. Os líderes foram presos e condenados à morte.

Fonte: http://www.historiadobrasil.net/resumos/revolucao_pernambucana.htm

A Vinda da Família Real e o Governo Joanino (2º Anos)

 A transferência da família real portuguesa para o Brasil deu-se no contexto das lutas imperialistas entre Inglaterra e França, especificamente após o decreto do bloqueio continental ao comércio inglês por Napoleão.
O governo joanino apresentou aspectos importantes para o processo de independência, como a abertura dos portos em 1808, a elevação do Brasil a Reino Unido e a montagem de um aparelho burocrático. Por outro lado, assinou tratados, como os de 1810, que abriram o mercado brasileiro aos produtos ingleses, impossibilitando qualquer manifestação industrial no país.

Em 1820, no Porto, os portugueses exigiram o retorno de D. João VI, a promulgação de uma Constituição e a recolonização do Brasil. No dia 26 de abril de 1821, D. João VI retornou a Portugal, deixando seu filho Pedro como regente do trono brasileiro.
Fonte: Memorex.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DO BRASIL (2º Anos)

Processo de Independência do Brasil

A Independência do Brasil ocorreu em 7 de setembro de 1822. A partir desta data o Brasil deixou de ser uma colônia de Portugal. A proclamação foi feita por D. Pedro I as margens do riacho do Ipiranga em São Paulo.

Causas:

- Vontade de grande parte da elite política brasileira em conquistar a autonomia política;

- Desgaste do sistema de controle econômico, com restrições e altos impostos, exercido pela Coroa Portuguesa no Brasil;

- Tentativa da Coroa Portuguesa em recolonizar o Brasil.

Dia do Fico

- D. Pedro não acatou as determinações feitas pela Coroa Portuguesa que exigia seu retorno para Portugal. Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro negou ao chamado e afirmou que ficaria no Brasil.

Medidas pré independência:

Logo após o Dia do Fico, D. Pedro I tomou várias medidas com o objetivo de preparar o país para o processo de independência:

- Organização a Marinha de Guerra

- Convocou uma Assembleia Constituinte;

- Determinou o retornou das tropas portuguesas;

- Exigiu que todas as medidas tomadas pela Coroa Portuguesa deveriam, antes de entrar em vigor no Brasil, ter a aprovação de D. Pedro.

- Visitou São Paulo e Minas Gerais para acalmar os ânimos, principalmente entre a população, que estavam exaltados em várias regiões.

A Proclamação da Independência

Ao viajar de Santos para São Paulo, D. Pedro recebeu uma carta da Coroa Portuguesa que exigia seu retorno imediato para Portugal e anulava a Constituinte. Diante desta situação, D. Pedro deu seu famoso grito, as margens do riacho Ipiranga: “Independência ou Morte!”

Pós Independência

- D. Pedro I foi coroado imperador do Brasil em dezembro de 1822;

- Portugal reconheceu a independência, exigindo uma indenização de 2 milhões de libras esterlinas;

- Em algumas regiões do Brasil, principalmente no Nordeste, ocorreram revoltas, comandadas por portugueses, contrárias à independência do Brasil. Estas manifestações foram duramente reprimidas pelas tropas imperiais.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

REVISÃO PARA A PROGRESSÃO PARCIAL DE HISTÓRIA

O ILUMINISMO - Pensadores e características
O Iluminismo foi um movimento intelectual que surgiu durante o século XVIII na Europa, que defendia o uso da razão (luz) contra o antigo regime (trevas)  e pregava maior liberdade econômica e política. Este movimento promoveu mudanças políticas, econômicas e sociais, baseadas nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. O Iluminismo tinha o apoio da burguesia, pois os pensadores e os burgueses tinham interesses comuns. As críticas do movimento ao Antigo Regime eram em vários aspectos como:
- Mercantilismo.
-Absolutismo monárquico.
- Poder da igreja e as verdades reveladas pela fé.
Com base nos três pontos  acima, podemos afirmar que o Iluminismo defendia:
- A liberdade econômica, ou seja, sem a intervenção do estado na economia.
- O Antropocentrismo, ou seja, o avanço da ciência e da razão.
- O predomínio da burguesia e seus ideais.
As ideias liberais do Iluminismo se disseminaram rapidamente pela população. Alguns reis absolutistas, com medo de perder o governo - ou mesmo a cabeça -, passaram a aceitar algumas ideias iluministas.
Estes reis eram denominados Déspotas Esclarecidos, pois tentavam conciliar o jeito de governar absolutista com as ideias de progresso iluministas.
Alguns representantes do despotismo esclarecido foram: Frederico II, da Prússia; Catarina II, da Rússia; e Marquês de Pombal, de Portugal.
Alguns pensadores ficaram famosos e tiveram destaque por suas obras e ideias neste período. São eles:
John Locke :  é Considerado o “pai do Iluminismo”. Sua principal obra foi “Ensaio sobre o entendimento humano”, aonde Locke defende a razão afirmando que a nossa mente é como uma tábula rasa sem nenhuma ideia.  Defendeu a liberdade dos cidadãos e Condenou o absolutismo.
Voltaire : François Marie Arouet Voltaire destacou-se pelas críticas feitas ao clero católico, à inflexibilidade religiosa e à prepotência dos poderosos.
Montesquieu : Charles de Secondat Montesquieu em sua  obra “O espírito das leis”  defendeu a tripartição de poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. No entanto, Montesquieu não era a favor de um governo burguês. Sua simpatia política inclinava-se para uma monarquia moderada.
Rousseau: Jean-Jacques Rousseau é autor da obra “O contrato social”, na qual afirma que o soberano deveria dirigir o Estado conforme a vontade do povo. Apenas um Estado com bases democráticas teria condições de oferecer igualdade jurídica a todos os cidadãos. Rousseau destacou-se também como defensor da pequena burguesia.

Quesnay : François Quesnay foi o representante oficial da fisiocracia. Os fisiocratas pregavam um capitalismo agrário sem a interferência do Estado.
Adam Smith : Adam Smith foi o principal representante de um conjunto de ideias denominado liberalismo econômico, o qual é composto pelo seguinte:
- o Estado é legitimamente poderoso se for rico;
- para enriquecer, o Estado necessita expandir as atividades econômicas capitalistas;
- para expandir as atividades capitalistas, o Estado deve dar liberdade econômica e política para os grupos particulares.
A principal obra de Smith foi “A riqueza das nações”, na qual ele defende que a economia deveria ser conduzida pelo livre jogo da oferta e da procura.
Revoluções inglesas do século XVII
 MONARQUIAS ABSOLUTISTAS
No século XVII, basicamente, todas as potências europeias viviam sob o regime das monarquias absolutistas. Tais governos se fortaleceram desde os últimos tempos medievais, quando a crise que então assolava a Europa feudal abriu espaço à formação dos Estados Nacionais Modernos. Neste momento, a existência de um governo centralizador foi fundamental ao processo de unificação territorial, jurídica e monetária pelo qual passaram países como Portugal, Espanha, Inglaterra e França.
No entanto, com o passar dos anos, as críticas ao excessivo centralismo político por este Estado absolutista começaram a ganhar força em boa parte do Velho Mundo. A burguesia mostrava-se, então, como o grupo social responsável pelos principais ataques desferidos contra esse tipo de governo, o qual identificava como um poderoso empecilho ao desenvolvimento de práticas econômicas mais liberais e lucrativas.
MONARQUIA INGLESA
Embora as estruturas absolutistas tenham começado a ruir mais visivelmente ao longo do século XVIII, notadamente a partir da difusão dos ideais iluministas, este processo pôde ser percebido na Inglaterra já em meados do século anterior. Após os bem-sucedidos governos de Henrique VIII e Elizabeth I, os reinados de Jaime I (1603 – 1625) e Carlos I (1625 – 1649) foram marcados pelo agravamento das insatisfações sociais, o que acabou por debilitar o poder da Coroa.
O parlamento inglês, que há tempos buscava ampliar sua autonomia frente aos desmandos dos monarcas, mostrou-se ainda mais inconformado com as ações centralizadoras tomadas nesses dois últimos governos. A burguesia, interessada em um sistema econômico mais liberal, colocava-se claramente contrária ao intervencionismo estatal típico das monarquias absolutistas. Por fim, as reações de grupos religiosos perseguidos pelos reis anglicanos contribuíram igualmente para a fragilização do Absolutismo na Inglaterra.
REVOLUÇÃO PURITANA
Nos últimos anos do reinado de Carlos I, a Inglaterra assistiu ao desenrolar de uma violenta guerra civil. Em lados opostos estavam os defensores do monarca, grupos em sua maioria anglicanos, e a maioria dos burgueses e dos membros da gentry (pequena nobreza rural), em geral defensores da religião puritana. Ao lado do parlamento, estes opositores do rei foram liderados por Oliver Cromwell na bem- sucedida Revolução Puritana, processo que determinou a queda da monarquia inglesa.
A República de Cromwell foi caracterizada por uma grande centralização do poder nas mãos de seu líder. A Revolução Puritana havia rompido com o monarquismo, mas não necessariamente com o autoritarismo. E foi utilizando-se desse seu poder que Oliver Cromwell estabeleceu os “Atos de Navegação”, um conjunto de medidas que favoreceram amplamente as relações comerciais feitas pela Inglaterra e, consequentemente, sua burguesia.
REVOLUÇÃO GLORIOSA
Com a morte de Oliver Cromwell e a renúncia de seu filho Ricardo, a monarquia acabou sendo restaurada. Assim, a dinastia Stuart voltava ao governo e Carlos II era coroado, dando início a um reinado extremamente autoritário. Mesmo com a ascensão de Jaime II ao poder, a monarquia inglesa continuava a tender ao absolutismo, o que gerava grande insatisfação nos parlamentares.
Formado basicamente por burgueses e membros da gentry, o parlamento constitui, então, um exército com o objetivo de depor o rei. Ao mesmo tempo, negocia com Guilherme de Orange, genro de Jaime II, sua indicação para o trono real. Em contrapartida, o parlamento exigia que o novo rei jurasse obediência à “Declaração dos Direitos” (Bill of Rights). Sucedia-se, assim, a Revolução Gloriosa, cujo principal desdobramento foi a consolidação da monarquia parlamentar e a deposição do absolutismo inglês.
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
         A Revolução Industrial inaugurou uma nova era, caracterizada pela produção em massa e pela expansão da vida urbana.
         A principal característica da Revolução Industrial foi ter inaugurado o Capitalismo Industrial, ou seja, o sistema econômico de produção de mercadorias em grande quantidade.
         A Sociedade dividiu-se em burgueses (classe social dominante no capitalismo, constituída e industriais, banqueiros, comerciantes, empresários agrícolas e donos de empresas de serviços) e proletariado (conjunto de trabalhadores de um país, região, cidade etc ou do mundo inteiro).
         A Revolução Industrial começou na Inglaterra.
ETAPAS DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
PRODUÇÃO ARTESANAL OU INDÚSTRIA CASEIRA: O artesão era dono das suas ferramentas, trabalhava na sua própria casa e fazia todos os processos de produção.
MANUFATURA: O artesão não era mais o dono dos seus instrumentos e trabalhava em grandes galpões junto com outros artesãos.
INDÚSTRIA MECANIZADA: O artesão passou a ser trabalhador nas indústrias e operar máquinas que substituiu o trabalho humano.
LUDISMO: Foi um movimento onde trabalhadores na Inglaterra quebraram máquinas na tentativa de resgatar os seus empregos.
         Os trabalhadores saíram do campo para a cidade em busca de emprego e encontra uma situação de precária de vida visto que nas cidades havia a ditadura do relógio onde o trabalhador tinha a obrigação de cumprir com até 17 horas de trabalho por dia.

REVOLUÇÃO FRANCESA
         A França de 1780 tinha três representantes da sociedade: o Clero, a Nobreza e o Terceiro Estado (composto de burgueses, artesãos e proletários, no entanto quem sustentava financeiramente estes dois primeiros era a burguesia que fazia parte do Terceiro Estado e que não se conformava com esta condição pois tinha dinheiro e não tinha poder.
         Com o envolvimento da França na independência dos Estados Unidos da América, a crise econômica agravou-se e o Terceiro Estado foi obrigado a pagar mais imposto pois o Clero e a Nobreza não queriam perder seus privilégios. Houve a convocação dos Estados Gerais com a confirmação do aumento do pagamento de impostos para o Terceiro Estado, pois o Clero e a nobreza se uniram contra eles. A burguesia não aceitou e pressionou o rei a fazer a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte forçando a formação de uma monarquia constitucional. A queda da Bastilha em 14/01/1789, foi a maior prova da decadência do Antigo Regime e em agosto do mesmo ano foi abolido o dízimo e todas as obrigações feudais que pesavam sobre os camponeses. Em seguida aprovou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que estabelece a igualdade entre os homens.
         Na Revolução Francesa, foi uma das principais reivindicações do Terceiro Estado  a abolição dos privilégios da nobreza e instauração da igualdade civil.
         A Revolução Francesa representou um marco da história ocidental pelo caráter de ruptura em relação ao Antigo Regime. Dentre as características da crise do Antigo Regime, na França, está a crescente mobilização do Terceiro Estado, liderado pela burguesia contra os privilégios do clero e da nobreza.
         A Revolução Francesa é um marco na história da humanidade por ter produzido rupturas com o Antigo Regime. O fim da servidão e dos privilégios feudais, a declaração dos direitos do homem e do cidadão, o confisco dos bens do clero, a reforma do Exército e da Justiça.
NAPOLEÃO BONAPARTE NO PODER
         Ao assumir o poder com um golpe de Estado, Napoleão Bonaparte prometeu aos franceses transformar a França na maior potência mundial.
         Ele chegou ao poder e era o único homem capaz de recompor o país, aos olhos da burguesia. Jovem General, ele abandonou seu exército em campanha no Egito e foi ovacionado pela população quando chegou na França. No entanto ele tomou o poder num golpe conhecido como 18 Brumário (9 de novembro), no calendário criado pela revolução. A primeira coisa que fez foi dissolver a Assembleia e aprovar uma outra constituição que extinguiu o Diretório.
         Napoleão sagrou-se Imperador da França em 1804.  Instituiu o Bloqueio Continental. Durante o período napoleônico (1799-1815), esta medida teve repercussões importantes nas relações comerciais do Brasil com a Inglaterra em 1806, com o qual Napoleão visava arruinar a indústria e o comércio ingleses.
         A era napoleônica (1799-1815) caracterizou-se como um período de profundas transformações políticas e sociais que consolidaram a hegemonia burguesa na França. A Promulgação do Código Civil dos franceses foi uma delas.
         O Congresso de Viena, de 1815, reuniu representantes dos países europeus com o objetivo de reorganizar o mapa político europeu e promover a paz entre os países beligerantes (ou seja em guerra).
Independência da América Espanhola
A partir do século XVI, a Espanha colonizou várias regiões da América. O sistema de colonização espanhola baseado na exploração dos recursos naturais e minerais das áreas dominadas. Os povos americanos (incas, astecas, maias e outros nativos) foram dominados, perderam suas terras e tiveram que seguir a cultura imposta pelos espanhóis. Estes povos nativos também tiveram que trabalhar de forma forçada para os colonizadores da Espanha.
A administração implantada pela Espanha nas colônias americanas era totalmente controlada pela metrópole e tinha por objetivo principal a obtenção de riquezas. As leis e suas aplicações eram definidas pela coroa espanhola e, portanto, serviam aos seus interesses políticos e econômicos.
No campo econômico o controle da metrópole sobre as colônias americanas era rígido. Os colonos só podiam comprar e vender produtos da Espanha. Esta espécie de pacto colonial era altamente desfavorável aos colonos americanos, pois acabam sempre vendendo a preços baixos e comprando a preços altos, gerando grandes lucros aos espanhóis.
As lutas pela Independência da América Espanhola
Diante da exploração e injustiças adotas pela Espanha na América, a partir do século XVIII começa a brotar um movimento de resistência nas colônias, liderado pelos criollos. Estes eram filhos de espanhóis nascidos na América. Além dos laços culturais que tinham com o continente americano, viam na independência uma forma de obtenção de poder político. Muitos destes criollos eram comerciantes e, através da independência poderiam obter liberdade para seus negócios, aumentando assim seus lucros. Vale lembrar também que muitos criollos estudaram na Europa, onde tomaram contato com os ideais de liberdade propagados pelos iluministas.
No século XVIII, várias revoltas emancipacionistas ocorreram em diversas colônias americanas, lideradas em sua maioria pelos criollos. Porém, todas elas foram reprimidas com força e violência pela Espanha.
O processo de independência e suas principais características:
O processo de independência ganhou força no começo do século XIX, aproveitando a fragilidade política em que se encontrava a Espanha, após a invasão das tropas napoleônicas. As lutas pela independência ocorreram entre os anos de 1810 e 1833.
Vale ressaltar que o grau de insatisfação e revolta da população americana com o domínio espanhol havia atingido o ponto máximo no começo do século XIX. Foi nesta época também que os criollos conseguiram organizar movimentos emancipacionistas em todos os vice-reinos.
Ao contrário do que aconteceu no Brasil, o processo de independência das colônias espanholas foi violento, pois houve resistência militar por parte da Espanha. As guerras de independência geraram milhares de mortes de ambos os lados.
Os movimentos de independência, embora liderados pelos criollos, contou com a participação de negros, mestiços, brancos das camadas mais pobres e até mesmo de indígenas.
As colônias estavam divididas administrativamente em quatro vice-reinos (Nova Granada, Nova Espanha, Rio da Prata e Peru) e quatro capitanias-gerais (Chile, Venezuela, Guatemala e Cuba). Após o processo de independência, estes vice-reinos foram divididos e tornaram-se países. O vice-reino do Rio da Prata, por exemplo, transformou-se, após ser dividido, nos atuais: Paraguai, Argentina, Bolívia e Uruguai.
Enquanto o Brasil seguiu o sistema monárquico após sua independência em 1822, os países que se formaram com a independência das colônias espanholas adoram a República.
Anos da independência dos principais países da América Espanhola:
- México: 1821
- Peru: 1821
- Argentina: 1816
- Paraguai: 1813
- Uruguai: 1815
- Venezuela: 1811
- Bolívia: 1825
- Colômbia: 1811
- Equador: 1811
- Chile: 1818
Principais líderes
Os principais líderes das lutas pela independência nos países da América Espanhola foram Simón Bolivar e San Martín.
- Simón Bolivar: militar e politico venezuelano, foi de fundamental importância nos processos de independência da Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela, Panamá e Peru. Ganhou em 1813, na Venezuela, o título honorífico de Libertador.
- José de San Martín: general argentino, foi decisivo nos processos de independência da Argentina, Chile e Peru.
-Abreu e Lima saiu do Brasil em 1818, após a execução de seu pai o Padre Roma (ex-sacerdote que abandonou a batina para casar-se) em 1817, devido ao envolvimento deste na Revolução Pernambucana. Naqueles tempos, as Ordenações do Reino não limitavam suas punições aos réus de crime de lesa-majestade, mas impunham-nas até a segunda geração. Sendo um jovem militar em início de carreira, a execução do pai nessas condições sepultava-lhe a carreira militar no Brasil.
Consequências:
- Ascenção política dos criollos nas ex-colônias;
- Conquista da liberdade econômica, que favoreceu financeiramente e politicamente a aristocracia;
- Criação de dependência econômica com relação à Inglaterra, maior potência mercantil do século XIX;
- Infelizmente, a independência política não significou a diminuição das desigualdades e injustiças sociais nas ex-colônias espanholas. A pobreza e miséria continuaram como realidade para grande parte da população;
- Instalação do sistema republicano em que, através das eleições, as elites se perpetuavam no poder.